Lifable

As instruções · lê uma vez, depois guarda

Como navegar no teu Lifablee o que fazer com ele, na prática

Há quem o receba e navegue logo, sem precisar de apoio nenhum. E há quem, ao início, ache aquilo complexo. Estejas de um lado ou do outro, esta página leva-te até ao fim, com a intenção de que o teu Lifable tenha o maior impacto possível neste momento em que estás na vida.

Serve para qualquer Lifable · nada aqui é específico do teu

01 - Antes de começares

Quatro regras

Investe um minuto aqui e elevas o impacto do teu Lifable.

1. É um espelho, não é um veredicto

Cada linha do teu Lifable saiu das tuas próprias respostas. Não foi acrescentado nada de fora - nenhum teste nem diagnóstico de personalidade. Tudo o que usámos foi a informação que nos enviaste ao longo das 65 perguntas, reorganizada pelo nosso método. Por isso, quando alguma coisa bate forte, és tu, citado de volta, e não alguém a tentar encaixar-te num perfil generalizado.

Dito isto, se uma linha te parecer errada, ou já não te pertencer (acontece, algumas perguntas tocam no teu passado), a pergunta útil raramente é «será que eles têm razão?» - e sim «o que é que eu escrevi para daqui ter saído isto?»

2. Vale a pena começar por ler duas vezes, com uma semana de intervalo

Dependendo da profundidade e da intensidade de verdade das tuas respostas, a primeira leitura costuma ser emocional. É normal saltar partes, focares-te mais numas do que noutras, e muitas vezes sentires qualquer coisa numa parte específica e parares por aí. É normal.

Experimenta voltar a lê-lo uns sete dias depois. A essa altura costuma ser mais clara. Começas a ver a estrutura e o sentido do conjunto em vez de blocos soltos.

3. Nada aqui é um conselho ou uma premonição

O Lifable mostra onde estás e o que te puxa. Tende a trazer muita clareza, mas não te diz o que fazer. Acreditamos exatamente no oposto. Em ti.

Onde vires um convite à reflexão ou uma ação possível, lê-a como um ponto de partida. Algo para considerares, ou até para discordares. És tu a pessoa que vai sempre saber o que é melhor para ti. Inclusive aqui, nesta página: onde lês «o que fazer», lê-o como uma sugestão, nunca como uma ordem.

4. Isto não é terapia

O Lifable oferece-te um olhar estruturado sobre o sítio onde estás, como podes ter chegado aqui, e possibilidades de futuro. Há três frases que nos enviaram de que gostamos particularmente:

«É uma radiografia a onde a minha alma está neste momento e para onde quer ir.»

«É como se entrassem na minha mente e resolvessem o esparguete mental em que eu estava.»

«É a melhor forma de me ajudar a tomar decisões na vida, porque vão ao fundo do meu ser e de onde estou na vida.»

Ainda assim, pedimos-te que nunca o confundas com terapia. Aliás, há várias pessoas que o usam como a primeira coisa que fazem antes de iniciar terapia - dizem que serve de bússola.

Por isso, se estás numa fase mais pesada - tristeza que não passa, ansiedade - isso merece um profissional. Se estás nesse ponto e decidires fazer o teu Lifable, escolhe fazê-lo acompanhado por um profissional (muita gente faz assim), e nunca em vez dele.

Estás aqui

O que é: o sítio que apontaste como teu - onde te sentes mais tu. Ao lado fica o teu porto: as pessoas que fazem daquele sítio o que ele é.

Como ler: é o único ponto fixo do mapa. Tudo o resto se mede a partir daqui.

O que fazer: marca-o na agenda. A maior parte das pessoas nomeia um sítio onde não põe os pés há meses. Se é mesmo ali que és mais tu, passa lá tempo - uma hora por semana não é luxo nenhum.

Os faróis

O que são: seis coisas que disseste querer, desenhadas como luzes na costa mais distante. Não são objetivos que te demos. São frases tuas.

Como ler: repara em quais deles já te tinhas esquecido de ter escrito. Essa distância - entre dizer uma coisa e lembrar-te dela - costuma ser um sinal muito útil.

O que fazer: escolhe um. Não o mais importante - o mais barato de testar. Um farol de que te podes aproximar este mês com um telefonema vale mais do que aquele que exige mudar de vida. Mexeres-te na direção de um farol muda a forma como vês todos os outros.

As correntes

O que são: os padrões que te puxam de volta para onde já estiveste. Normalmente três, mais um remoinho - um padrão que não te arrasta para trás, mas que te faz andar às voltas.

Como ler: as correntes não são defeitos. São soluções antigas que um dia resultaram. Aquela que te deixa mais na defensiva costuma ser a que ainda está a mandar.

O que fazer: não tentes combatê-las todas. Uma corrente perde quase toda a força no momento em que deixa de ser privada. Considera falar abertamente de uma delas com alguém.

Os ventos

O que são: o que já te empurra para a frente. São três, e costumam ser coisas em que deixaste de reparar por serem banais.

Como ler: os ventos são a coisa mais barata do mapa. Não custam nada porque já existem.

O que fazer: considera proteger um deles a sério - na agenda, com o mesmo peso de uma reunião. São preciosos, e já te estão a levar para a frente.

02 - O mapa

O que significa cada coisa no teu Lifable

O mapa são as tuas respostas desenhadas como território. Todos os nomes que lá estão saíram de alguma coisa que escreveste. Toca em qualquer lugar para leres a sua entrada.

03 - O mapa, continuação

As partes que se leem mal

Nestas quatro vale a pena abrandar.

As janelas

O que são: dois portões. Um a fechar - uma coisa que não vai estar disponível por muito mais tempo. Outro a abrir - uma coisa que só há pouco tempo se tornou possível para ti.

Como ler: a janela que fecha é a única parte do mapa com um prazo a sério, e é quase sempre um prazo que ninguém marcou - foi a vida.

O que fazer: se a janela que fecha envolve uma pessoa, mexe-te este mês. Não este ano. O mapa desenha-a a fechar porque foste tu que nos disseste que estava.

O nevoeiro

O que é: a parte da tua vida que ainda não conseguiste descrever - normalmente tirada de uma pergunta que deixaste em aberto, ou daquilo que disseste não saber.

Como ler: se aparecer, lê-o como normal. Faz parte da vida.

O que fazer: nada, de propósito. Não tentes resolvê-lo este mês. Podes voltar lá mais tarde - estas coisas costumam responder-se de lado, enquanto andas a fazer outra coisa qualquer.

As duas rotas

O que são: a rota-âncora é um laço fechado - o que acontece se nada mudar. A rota nova está tracejada, porque ainda não a navegaste.

Como ler: a rota-âncora não é uma ameaça. Pode ser uma opção real e legítima, desenhada com honestidade para a poderes escolher de propósito em vez de ficares nela por inércia. Há anos em que ficar é a decisão certa.

O que fazer: lê o cartão da rota-âncora e faz uma pergunta - «se o que estou aqui a ver ainda for verdade daqui a doze meses, fico bem com essa vida?» Se sim, acabaste de a escolher, e isso é uma decisão a sério. Se não, a rota nova já te mostra a primeira ilha.

Águas já navegadas

O que são: abaixo da linha da esteira - o sítio de onde vieste. Identidades antigas, lugares que te formaram, e qualquer farol que ainda esteja aceso atrás de ti.

Como ler: estão no mapa porque explicam a viagem, não porque devas voltar lá. O farol aceso atrás de ti é o que mais importa: é a prova de que já fizeste uma versão daquilo que a rota nova te pede.

O que fazer: quando a rota nova te parecer impossível, volta a ler essa entrada. Ninguém te está a pedir que te tornes outra pessoa. Estão a pedir-te que faças outra vez uma coisa que já fizeste.

Quem és e onde estás

O retrato, e uma oportunidade possível para os próximos doze meses, saída das tuas próprias palavras.

Usa-a como: o resumo a que voltas quando já não te lembras do que este ano podia ser. Se só guardares um parágrafo, guarda a linha da oportunidade - é a frase que tem muito sonho lá dentro. Os sonhos contam.

Os teus faróis

A lista completa do que disseste querer, mais o que está a abrir e a fechar nesta estação, e uma imagem-guia construída a partir de uma cena tua.

Usa-a como: um filtro de decisão. Quando aparecer uma oportunidade este ano, passa-a por esta lista. Se não serve nenhum farol e não fecha nenhuma janela, é provável que a prioridade seja de outra pessoa.

O teu barco

O que te puxa para trás, o que te desbloqueia, e duas micropráticas possíveis para começares esta semana. Nada muda se nada mudar.

Usa-a como: as micropráticas são pequenas de propósito - pequenas o suficiente para convidarem ao movimento e a alguma coisa nova.

Novo rumo

O que podes pousar, o que já está a funcionar, e um ato de coragem possível.

Usa-a como: a secção da autorização. Grande parte do que as pessoas carregam não lhes é exigido por ninguém. O ato de coragem está escrito como uma coisa concreta e dizível - normalmente uma frase dita em voz alta a uma pessoa específica. É pequeno de propósito. Para alguns, é também a linha mais difícil do documento.

Projeção de realidades

As duas rotas lado a lado, as tuas frases-mantra, e exemplos de rituais.

Usa-a como: o ponto de controlo aos seis meses. Vale a pena voltar cá, ler os dois cartões, e perguntares qual deles andaste mesmo a viver. As frases-mantra são para água agitada, para te assentarem - duas das três são palavras tuas, por isso vão soar a ti e não a um cartaz.

Ecossistema de apoio

O tipo de ecossistema que este momento pode pedir, o foco, e o formato.

Usa-a como: um guião de procura. Descreve de propósito um ecossistema, ou as pessoas que podes tentar encontrar. Pode ser um chamamento à aventura, e não faz mal nenhum que seja.

04 - As secções escritas

Para que serve cada secção

Seis secções à volta do mapa que está lá dentro. Cada uma faz um trabalho diferente, e usa-se de maneira diferente.

05 - Usá-lo

Os próximos doze meses

Podes ir voltando ao documento. Considera partilhar partes dele com amigos ou com pessoas em quem confias. Também podes levá-lo para conversas mais fundas com o teu terapeuta - há muita gente que o acha uma boa ferramenta para guiar o trabalho que faz lá.

Primeira leitura

Na primeira leitura, vai com leveza.

Evita decisões, anúncios, ou despedires-te de seja o que for. A primeira leitura costuma trazer muita emoção à mistura, e a emoção sozinha faz maus planos.

Daqui a uma semana

Lê outra vez. Depois pensa em ações.

Pode ser um farol de que te aproximas, uma corrente que nomeias em voz alta a uma pessoa, um vento que pões na agenda, ou escreveres sobre aquilo - tanto faz qual. A partir daqui talvez valha a pena lê-lo já com ações possíveis em mente, e não só para perceber.

Todos os meses, dez minutos

Abre o mapa.

O teu relatório é um bom instrumento para revisitares à medida que o ano avança. Se costumas fazer balanços mensais, vale a pena dar-lhe uma olhada e ver o que aparece.

Aos seis meses

Considera concentrares-te nos dois cartões das rotas.

Qual delas andaste a viver? Há alguma coisa que precise de mudar em ti? Não há julgamento nenhum agarrado à resposta - a rota-âncora é uma escolha legítima. Mas que seja uma escolha em que reparas ao fazê-la.

Aos doze meses

Considera fazer um novo Lifable.

As poucas pessoas que completaram agora um ano desde que fizeram o seu primeiro Lifable dizem-nos que rever o relatório quando o ano está a fechar é chave. E a maioria, assim que o faz, diz-nos que daqui a um ano vai fazer outro. Um ano passa a correr, mas o Lifable tende a ser um espelho que mostra como mudámos - e a vida tende a estar noutro sítio. Há também quem nos diga que quer fazer um todos os anos, para um dia poder olhar para trás e lembrar-se com facilidade da sua vida e dos seus momentos. Já nos disseram, inclusive, que o querem fazer para um dia oferecerem aos filhos, como uma memória, uma parte de si.

Se isto faz sentido para ti, é uma honra para nós - e lembra-te de usar o teu desconto de membro.

«Esta parte está simplesmente errada.»

Então está errada. Risca-a. Mas antes de o fazeres, vai ver o que escreveste na pergunta de onde ela saiu - às vezes a linha está certa em relação a uma versão de ti que já ficou para trás, e isso vale a pena saber.

«Isto é demasiada coisa.»

Então concentra-te em partes pequenas. Um farol, uma corrente, um vento. As secções escritas continuam lá daqui a seis meses, e costumam ler-se de outra maneira depois de alguma coisa se ter mexido.

«Percebi que tenho de mudar uma coisa grande.»

É possível. Considera ficar algum tempo com isso antes de fazeres seja o que for que não tenha volta. E outra coisa: quem tira os melhores resultados deste relatório envolveu sempre outras pessoas. Ou tinha apoio adicional, ou um amigo com quem falar e partilhar as vitórias, ou um grupo. Considera isso.

«Isto abriu alguma coisa mais pesada.»

Então pára de ler e fala com alguém qualificado. Isto é um olhar estruturado sobre uma vida, não é acompanhamento clínico, e não finge ser. Usá-lo ao lado desse apoio é ótimo e muitas vezes útil. Usá-lo em vez desse apoio não é para isso que ele serve. Respeita-te sempre a ti e ao sítio onde estás na vida.

06 - Se este relatório criar desconforto

Se este relatório criar desconforto

E deve criar, nalgumas partes. Lembra-te de que o que estás a ver foi criado a partir das tuas palavras - quanto mais fundo foste nas respostas, maior é o espelho. Cada linha difícil vem de alguma coisa que escreveste. É por isso que as pessoas o acham tão poderoso e revelador, e é também por isso que às vezes arde. Se arder, vai procurar a resposta de onde aquilo saiu. Quase sempre o desconforto é o reconhecimento a chegar mais depressa do que estavas à espera.